Mercado imobiliário de Brasília deve continuar crescendo nos próximos cinco anos, afirma Eduardo Pereira

Em entrevista ao Agora Imóveis no Ar Podcast, Eduardo Pereira analisa o cenário imobiliário do Distrito Federal, aponta regiões com potencial de crescimento, comenta os impactos da reforma tributária e da inteligência artificial e apresenta suas perspectivas para os próximos cinco anos


O mercado imobiliário do Distrito Federal atravessa um período marcado por juros elevados, valorização dos imóveis, mudanças no comportamento dos consumidores e transformações tecnológicas que exigem uma nova postura de imobiliárias, corretores e investidores. Apesar dos desafios econômicos e das incertezas, o setor continua movimentando negócios e apresenta perspectivas de crescimento, especialmente em regiões de expansão urbana de Brasília.

A avaliação é de Eduardo Pereira, presidente do Sindicato da Habitação do Distrito Federal (SECOVI-DF), que participou do Agora Imóveis no Ar Podcast, apresentado por Paulo Melo. Durante aproximadamente 35 minutos de entrevista, o dirigente abordou temas como financiamento imobiliário, preços dos imóveis, mercado de locação, oportunidades de investimento, reforma tributária, segurança jurídica, inteligência artificial e as tendências que devem transformar o setor nos próximos anos.

Com 38 anos de atuação como corretor de imóveis, Eduardo também compartilhou sua trajetória profissional e familiar, destacando a importância da qualificação, da ética e da capacidade de adaptação para quem deseja prosperar no mercado.


Uma trajetória de quase quatro décadas no mercado imobiliário

Nascido no Rio de Janeiro, em 1969, Eduardo Pereira mudou-se para Brasília ainda criança, em 1973, quando seu pai, funcionário do Banco Central, foi transferido para a capital federal.

Foi no Distrito Federal que construiu sua trajetória pessoal e profissional. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade de Brasília (UnB), também atua na área de perícia contábil e avaliação imobiliária.

"Eu sou contador de formação, atuo como perito na área de contabilidade também e como perito avaliador, porque é da minha profissão de corretor de imóveis. Eu sou corretor desde 1988, ou seja, tenho 38 anos de CRECI", afirmou.

A ligação com o setor começou dentro de casa. Seus pais fundaram uma imobiliária ainda no início da expansão urbana de Brasília, negócio que posteriormente passou a ser administrado por Eduardo.

"A minha empresa tem 46 anos. Ela foi fundada em 1980 pelos meus pais. De um ano e meio para cá, comprei a franquia da RE/MAX e fiz um rebranding para a marca", explicou.

Antes de assumir definitivamente os negócios da família, Eduardo teve experiências em diferentes atividades econômicas, incluindo o setor de restaurantes e a representação comercial.

"Eu já fui dono de restaurante, já trabalhei muitos anos como representante comercial da L'Oréal de Paris. Lá pelo final dos anos 90, minha mãe me chamou para trabalhar com ela. Eu já era corretor. Aceitei de pronto e, desde então, estou lá como dono de imobiliária", contou.

Ele lembrou que sua mãe já trabalhava com imóveis no Rio de Janeiro e continuou a atividade ao chegar a Brasília.

"Meu pai trabalhava no Banco Central, e minha mãe fazia a administração. A gente tinha uma pequena imobiliária dentro de casa, antes mesmo dos anos 80. A administração puxa as vendas", recordou.

Segundo Eduardo, o mercado imobiliário de Brasília apresentou características bastante diferentes nas décadas de 1970 e 1980, quando os imóveis tinham preços proporcionalmente mais acessíveis.

"Foi uma época de prosperidade para quem chegou nas décadas de 70 e 80 ao Distrito Federal. Quem teve cabeça e juntou dinheiro conseguiu construir patrimônio", destacou.

SECOVI-DF desempenha papel estratégico na representação do setor
Ao abordar a atuação do SECOVI-DF, Eduardo explicou que a entidade exerce funções que vão além da representação das empresas imobiliárias, participando de negociações coletivas e promovendo o fortalecimento institucional do setor.

"O SECOVI é o sindicato das empresas de compra e venda de imóveis e de shoppings. É o sindicato da habitação. É um sindicato patronal da base da Fecomércio e participa das convenções coletivas das imobiliárias e de alguns shoppings", explicou.

O dirigente destacou a importância das negociações trabalhistas e do acesso das empresas aos serviços de entidades como Sesc, Senac e Sebrae.

"Nós temos acesso ao Sistema S, ao Sesc e ao Senac. Tem muito empresário imobiliário que nem sabe o tanto de vantagens que a gente tem", ressaltou.

Eduardo também mencionou reuniões e articulações com o Sebrae para ampliar a oferta de serviços, capacitações e oportunidades para as imobiliárias do Distrito Federal.

"O Sebrae também tem tanta vantagem que a gente não imagina. A gente não usa nem 10% de tudo isso", afirmou.

Segundo ele, a entidade pretende avançar na construção de novas parcerias para fortalecer as empresas e os profissionais do setor.

"Vêm aí novidades. Ano que vem vamos fazer muitas parcerias novas, tanto para as imobiliárias quanto para seus associados e os corretores de imóveis que estão dentro do nosso grupo afiliado", anunciou.
Juros elevados mantêm mercado imobiliário em período de expectativa

Ao analisar a conjuntura econômica, Eduardo Pereira destacou que o mercado imobiliário de Brasília vive um momento de cautela diante dos juros elevados e das expectativas em relação ao cenário político e econômico.


"Nós estamos num momento de expectativa com a eleição, sabendo o que vai acontecer. Essa taxa de juros muito alta inibe um pouco o setor imobiliário, porque, quando a taxa está baixa, a pessoa compra. Ela quer comprar o imóvel próprio ou comprar para investir", avaliou.

Segundo o presidente do SECOVI-DF, os juros elevados levam parte dos compradores a adiar decisões, aguardando condições de financiamento mais favoráveis.

"Quando a taxa está muito alta, a pessoa pensa mais um pouco, na expectativa de que a taxa desça e de que o mercado se aqueça", explicou. Apesar disso, ele ressaltou que as negociações não estão paralisadas.

"O mercado continua vendendo. A locação teve um boom agora, exatamente por falta de produto. Subiram muitos aluguéis, principalmente residenciais, e o mercado continua ativo, vendendo", observou.

Eduardo acredita que a redução dos juros pode contribuir para uma retomada mais intensa dos negócios.

"Espero que, para o ano que vem, principalmente, a gente deslanche, que as taxas caiam, que o mercado abra, que o investimento estrangeiro volte e que os empresários brasileiros tenham melhores condições", afirmou.

O dirigente também manifestou preocupação com mudanças tributárias e trabalhistas que, em sua avaliação, podem provocar impactos sobre as empresas.

"Vai ter muito impacto em cima do empresário brasileiro, principalmente na questão do comércio, alguma coisa na indústria, no agro e na prestação de serviços, onde a gente está", disse.

Preços dos imóveis em Brasília: Plano Piloto concentra valores elevados
Questionado por Paulo Melo se os imóveis em Brasília estão caros ou ainda possuem espaço para valorização, Eduardo afirmou que a resposta depende principalmente da localização.

"Eu acho que os imóveis em Brasília estão um pouco caros. Não vou dizer muito, porque depende do bairro", ponderou.

No Plano Piloto, especialmente na Asa Sul, ele destacou os valores elevados dos novos empreendimentos.

"Os lançamentos hoje aqui na Asa Sul já estão na faixa de R$ 26 mil o metro quadrado, nas poucas coisas que ainda têm", afirmou.

O presidente do SECOVI-DF também apresentou sua expectativa para futuros empreendimentos em áreas valorizadas da capital.

"Eu acredito que os próximos lançamentos vão passar de R$ 30 mil o metro quadrado, se forem para o ano que vem. Então, aqui o preço já está lá nas alturas", projetou.

De acordo com Eduardo, a escassez de terrenos e a procura por localizações consolidadas ajudam a explicar os preços praticados nessas regiões.

A valorização, entretanto, não se limita ao Plano Piloto. Águas Claras também foi destacada como uma região que passou por expressivo crescimento imobiliário.

"Águas Claras também teve um boom fantástico. Águas Claras, que já foi R$ 5 mil o metro quadrado, já tem lançamentos na faixa de R$ 16 mil e um pouco mais. Tem imóvel sendo vendido a mais de R$ 10 mil o metro quadrado", relatou.

Para ele, o perfil populacional e o desenvolvimento urbano ajudam a explicar a força do mercado local.

"É um bairro novo, com gente nova, crianças, muito pulsante. Eu gosto muito de Águas Claras. Acho que ali é um mercado próprio", destacou.

Os valores mencionados representam referências e projeções apresentadas pelo entrevistado, e não uma pesquisa independente de preços.

Jardim Botânico, Tororó e Sobradinho aparecem entre as regiões de expansão
Ao tratar das localidades que merecem atenção dos investidores, Eduardo apontou o Jardim Botânico, o Tororó e o eixo norte do Distrito Federal como áreas relevantes para o crescimento imobiliário.

"Tororó, Botânico. Eu acho que o crescimento do mercado com mais valor agregado está naquela direção", afirmou.

Segundo ele, os novos condomínios e empreendimentos demonstram que regiões anteriormente caracterizadas por grandes áreas rurais estão passando por transformações urbanas.

"A gente está vendo, pelos empreendimentos que estão surgindo naquela direção, os condomínios que estão fazendo, que era tudo área rural e agora está se consolidando como um bairro novo", explicou.

O crescimento também ocorre na saída norte de Brasília, especialmente na direção de Sobradinho.

"Você tem também essa saída norte, de Sobradinho, que já é mais de classe média, com condomínios como o Alto da Boa Vista, que já é consolidado e está puxando novos condomínios para aquela região", observou.

Eduardo avaliou que essas áreas estão em processo de consolidação, com perspectivas de continuidade da expansão urbana.

"Eu acho que essas duas regiões, falando de hoje, já estão em um processo consolidado e em um processo de crescimento", disse.

Ele também destacou a necessidade de que o desenvolvimento imobiliário esteja acompanhado de regularização e planejamento.

"A tendência agora é a gente fazer as coisas totalmente fundamentadas e regulamentadas. E a gente vai fiscalizar", enfatizou.

Financiamento imobiliário sente os efeitos das taxas de juros
O impacto do custo do crédito também foi um dos pontos centrais da entrevista.

Eduardo afirmou que grande parte das negociações imobiliárias depende, de alguma forma, de financiamento ou de recursos vinculados à aquisição da casa própria.

"Setenta por cento das vendas de imóveis hoje, segundo dados, são feitas através de uma parte de financiamento, uma parte de FGTS, mas muito financiamento", declarou.

Ele comparou a conjuntura atual com períodos anteriores de maior facilidade de crédito.

"Vamos voltar lá para 2013, quando o mercado bombou por um bom tempo. A gente tinha taxas de juros bem baixas, uma coisa de 6% ao ano, metade do que está agora", recordou.

Para Eduardo, as condições de financiamento influenciam diretamente a quantidade de negócios realizados.

"Todo mundo comprava porque o mercado estava aquecido e a economia estava crescendo", afirmou.

Ao analisar a atividade comercial no Distrito Federal, o dirigente também apontou dificuldades na ocupação de determinados imóveis empresariais.

"Novos imóveis comerciais estão muito difíceis de alugar, dependendo do local, e muito difíceis de vender. Isso, para mim, é um termômetro de que a economia, o comércio e a prestação de serviços não estão indo como a gente gostaria", avaliou.

Esperar os preços caírem pode significar perder oportunidades?
Durante a entrevista, Paulo Melo questionou se os consumidores que aguardam uma redução nos preços podem acabar perdendo oportunidades de aquisição.

Eduardo respondeu destacando o imóvel como um ativo patrimonial, mas reconheceu que existem diferenças entre os segmentos do mercado.

"Imóvel é um patrimônio, sempre seguro", afirmou, ao apresentar sua visão sobre o investimento imobiliário.

Ele citou o comportamento dos imóveis comerciais após a pandemia, período em que muitas empresas passaram a adotar modelos de trabalho remoto.

"O mercado de venda de imóvel comercial deu uma certa queda, exatamente porque, depois da pandemia, as pessoas descobriram que poderiam trabalhar em casa", explicou.

Segundo Eduardo, essa mudança reduziu a necessidade de determinados espaços comerciais.

"Tem muita gente que passou a trabalhar em um cômodo da própria casa, evitou custos, e isso se manteve depois da pandemia", relatou.

No segmento residencial, sua avaliação é de que os preços podem passar por períodos de acomodação, mas tendem a apresentar valorização no longo prazo.

"No residencial, por exemplo, ele pode se estabilizar um tempo. Depois ele volta, dá aquela valorizada, depois valoriza de novo. Ele está sempre em um lento crescimento. Cair é muito raro", avaliou.

O dirigente ressaltou que considera o comportamento brasileiro diferente de determinados episódios de crise imobiliária registrados em outros países.

"A gente nunca teve esse problema de bolha no mercado, pelo menos na história recente", disse.
Mercado de locação cresce, mas reforma tributária preocupa investidores

A locação imobiliária também ganhou espaço na conversa, especialmente diante da maior procura por imóveis residenciais e das mudanças previstas no sistema tributário.

"O mercado de locação é bom. Hoje deu um boom nesses últimos meses, nesse último ano", observou Eduardo.

Entretanto, o presidente do SECOVI-DF chamou atenção para os possíveis efeitos da reforma tributária, especialmente sobre proprietários que utilizam imóveis para obter renda.

"Vai entrar o IBS e a CBS, o governo vai cruzar mais dados, a carga tributária vai aumentar", afirmou, apresentando sua avaliação sobre o novo cenário.

Ele manifestou preocupação particular com os investimentos em imóveis destinados à locação por temporada.

"Até aquele pessoal que investiu em pequenos imóveis para fazer Airbnb agora vai ter que pagar imposto como um hotel, uma prestação de serviço", declarou.

O dirigente considera que os investidores precisarão dar mais atenção ao planejamento tributário e à organização patrimonial.

"O investidor vai ter que criar holding, vai ter que se precaver junto ao seu contador, vai ter que se prevenir, se blindar para a questão da carga tributária", explicou.

Para Eduardo, a tributação tende a influenciar as decisões de investimento.

"Obviamente, sempre vai ter gente investindo em imóvel, mas acho que essa questão de ordem tributária vai impactar um pouco o mercado no ano que vem", projetou.

As afirmações sobre IBS, CBS, holdings e tributação de aluguel por temporada expressam a análise do entrevistado, e a aplicação efetiva das novas regras depende do enquadramento tributário de cada contribuinte.

Investir em imóveis para aluguel ainda vale a pena?
Ao analisar a rentabilidade imobiliária, Eduardo destacou que o investimento em imóveis continua fazendo parte da cultura patrimonial brasileira, embora as novas gerações apresentem hábitos diferentes.

"A geração dos nossos pais acreditava muito nisso, que investir em imóvel era o melhor negócio do mundo. Tanto que era poupança e imóvel. Não tinha mais nada", lembrou.

Atualmente, segundo ele, os investidores encontram alternativas cada vez mais diversificadas.

"Hoje você vê que existem mercados de cripto, mercado derivativo, mercado de tokenização, muita coisa nova", observou.

O dirigente também comentou a relação dos jovens com a propriedade.

"Essa nova geração não quer ter bens, não quer ter carros. Quer simplesmente ter mobilidade. Hoje está em um lugar, amanhã mora em Fortaleza, depois em Lisboa, depois vai para a Ásia. Quer trabalhar no notebook", afirmou.

Mesmo reconhecendo as transformações, Eduardo mantém uma visão favorável à propriedade imobiliária.

"Com certeza, sempre foi um bom negócio e sempre será investir em imóveis", declarou.

Na avaliação do dirigente, os imóveis de menor valor possuem liquidez e demanda relevantes, especialmente aqueles voltados às famílias de renda mais baixa.

"Hoje são os imóveis do Minha Casa, Minha Vida, os imóveis de mais baixo custo, porque é um capital menor, na faixa de R$ 300 mil a R$ 400 mil", destacou.

Ele explicou que esse segmento apresenta maior rotatividade e pode representar uma alternativa para quem pretende investir em locação.

"É um imóvel de mais rotatividade, que é o que o brasileiro de renda mais baixa procura. Você pode investir para locação, e depende da área também", afirmou.

Rentabilidade exige análise antes da compra
Para quem dispõe de recursos e pretende investir, Eduardo recomenda comparar as diferentes possibilidades de aplicação do capital.

"Primeiro é fazer uma boa análise dessa questão patrimonial e de rentabilidade para saber se, a curto e médio prazo, seu dinheiro vai estar melhor dentro de um banco, com uma cesta de produtos, ou comprando um imóvel para locação", orientou.

Segundo ele, determinados imóveis podem oferecer retorno mensal relevante sobre o capital investido, dependendo das características do negócio.

"Imóvel de 0,5% até 1% é um imóvel bom de rentabilidade sobre o capital investido", afirmou.

O dirigente ponderou, porém, que a avaliação não deve considerar apenas o aluguel recebido.

"Tem que estudar o imóvel. Você vai ter que remunerar uma imobiliária, talvez pagar mais imposto e ainda pode ter problema com inquilino que não paga", alertou.

Sua recomendação é avaliar todos os custos e riscos antes de comprometer o patrimônio em uma aquisição.
Corretor de imóveis precisa abandonar antigos métodos de venda

Um dos assuntos mais enfatizados por Eduardo Pereira foi a transformação da atividade de corretagem.

De acordo com o presidente do SECOVI-DF, o mercado mudou profundamente e os profissionais precisam desenvolver novas habilidades para acompanhar o comportamento dos consumidores.

"O mercado está muito dinâmico. A gente passou décadas tendo aquele corretor que ficava sentado e botava só uma faixa. Depois vieram os portais, mas começaram a colocar anúncio no portal, colocar faixa e esperar vir o cliente", recordou.

Esse modelo, segundo ele, já não atende às exigências atuais.

"Hoje é o contrário. Hoje o corretor vai atrás do cliente. Ele capta aquele cliente que está interessado em vender e aquele cliente que está interessado em comprar", explicou.

O dirigente foi enfático ao afirmar que a atuação passiva deixou de ser competitiva.

"Não existe mais esse ponto de espera. Quem está assim está superado", declarou.

Para Eduardo, a formação profissional precisa ser permanente.

"O mercado precisa de investimento em treinamento contínuo. Você tem que estar preparado e entender que a inteligência artificial está dentro do mercado, porque ela está em tudo e está cada vez mais forte", afirmou.

Segundo ele, imobiliárias que não acompanharem essa transformação poderão perder espaço.

"As imobiliárias têm que ver como colocar isso para dentro, para poder ser competitivas", destacou.
Burocracia e regularização ainda representam obstáculos

A burocracia documental e os procedimentos de regularização imobiliária também foram apontados como desafios importantes para o setor.

"Infelizmente, a gente tem muita burocracia, muita lei. Para regulamentar um imóvel, já melhorou bastante, mas ainda temos processos administrativos e, às vezes, judiciais", explicou.

Ele citou os processos de usucapião e outras situações que exigem acompanhamento especializado.

Apesar das dificuldades, Eduardo reconheceu avanços no ambiente regulatório.

"Hoje tem mais regulamentação, temos normas melhores, normativas melhores e acompanhamento do Ministério Público na questão das invasões", afirmou.

O dirigente também destacou o papel das entidades profissionais e empresariais.

"O CRECI, o próprio SECOVI, a gente também tem uma função de estar regulando esse mercado", disse.

Segurança jurídica é indispensável na compra e venda de imóveis
Ao falar sobre a importância do corretor de imóveis, Eduardo Pereira destacou que o profissional trabalha diretamente com o patrimônio das famílias e, por isso, precisa oferecer segurança em todas as etapas da negociação.

"O corretor de imóveis tem que levar 100% de segurança ao seu cliente. Porque é o patrimônio da vida dele", enfatizou.

Ele comparou a responsabilidade de uma transação imobiliária à venda de produtos de consumo cotidiano.

"Eu não estou vendendo hambúrguer, pizza. Estou vendendo uma coisa que, às vezes, é a única coisa que a pessoa tem", afirmou.

Para Eduardo, todos os procedimentos devem ser realizados com rigor, incluindo financiamento, recebimento de valores, conferência de documentos e diligência jurídica.

"Você tem que ter muita segurança na hora de levar um financiamento, receber um sinal e fazer a análise de documentação, principalmente a due diligence", explicou.

A atenção aos detalhes pode evitar prejuízos expressivos.

"Você tem que estar com aquilo tudo correto, porque um erro pode levar tudo por água abaixo", alertou.
Caso de fraude imobiliária reforça alerta sobre documentação

Durante a entrevista, Eduardo relatou um caso de fraude envolvendo a venda de um imóvel localizado no Guará, no Distrito Federal.

Segundo ele, a situação envolveu uma propriedade cujo verdadeiro dono havia permitido que uma filha residisse no imóvel.

Posteriormente, pessoas ligadas à família teriam participado de uma negociação fraudulenta, utilizando uma procuração falsa para vender a propriedade.

"Eles resolveram dar um golpe no cara, pegaram a casa e colocaram para vender", relatou.

Eduardo explicou que a documentação aparentemente regular permitiu o andamento da negociação por intermédio de uma imobiliária.

"O comprador comprou de boa-fé. O dono real ficou sabendo e entrou com uma ação de nulidade do negócio, porque ele não tinha assinado procuração nenhuma", contou.

O caso acabou envolvendo perícia documental e investigação da origem da procuração utilizada.

A ex-esposa de Eduardo, que atuava como perita grafotécnica, foi nomeada no processo. A diligência levou à análise de registros de um cartório localizado em Padre Bernardo, em Goiás.

Segundo o relato, a documentação consultada não confirmou a existência da procuração apresentada na negociação.

"Se você não conferir bem a origem dessa procuração, pode cair em um golpe", advertiu.

A Justiça posteriormente declarou a nulidade da transação, conforme a narrativa apresentada pelo entrevistado.

"O juiz deu nulidade do negócio. O comprador de boa-fé teve que devolver o imóvel", relatou.

O caso foi utilizado como exemplo da importância de verificar diretamente a autenticidade dos documentos.

"O cara fez tudo certinho, comprou, escriturou o imóvel dentro do Distrito Federal, registrou o imóvel e, no fim das contas, não ficou dono de nada. Perdeu dinheiro", afirmou.

Eduardo deixou uma orientação para compradores, investidores e corretores.

"Isso é um alerta para quem compra imóvel. Quando tiver procuração no meio, alvará no meio, vá à vara, vá ao cartório. Se for de outro estado, ligue para o cartório para saber se a documentação tem procedência", recomendou.

Inteligência artificial não elimina o corretor, mas muda a profissão
A influência da inteligência artificial no mercado imobiliário foi outro ponto importante da conversa.

Questionado sobre a possibilidade de a tecnologia substituir os corretores, Eduardo afirmou que a principal transformação estará na capacidade dos profissionais de utilizar as novas ferramentas.

"Eu acho que, em todo segmento, não é a inteligência artificial que vai tomar o emprego. É quem domina a inteligência artificial", declarou.

Segundo ele, o conhecimento tecnológico precisa caminhar com a formação ética e o domínio dos procedimentos imobiliários.

"A aprendizagem contínua, a ética, o compliance e a inteligência artificial são de extrema importância para o corretor", enfatizou.

Eduardo acredita que sistemas inteligentes poderão identificar perfis de consumidores e facilitar a conexão entre compradores e imóveis disponíveis.

"O corretor vai praticamente dizer que o Paulo quer comprar um imóvel assim, assim, assim, tem tanto para gastar, e a inteligência artificial vai identificar o cliente ideal. Vamos chegar nisso, e rápido", projetou.

Entretanto, o dirigente considera que o atendimento humano continuará exercendo papel importante na orientação e na segurança das transações.

"Nunca vai substituir aquele trabalho de te orientar, de verificar documentação, igual essa história que eu contei", afirmou.

Para ele, o diferencial competitivo será a associação entre tecnologia e conhecimento.

"Quem dominar a inteligência artificial vai sair na frente", resumiu.
Perspectivas para os próximos anos são de continuidade do crescimento

Ao analisar o futuro do mercado imobiliário do Distrito Federal, Eduardo Pereira destacou a capacidade do setor de manter suas atividades mesmo diante de crises econômicas.

Ele citou a pandemia como exemplo da resistência do segmento residencial.

"Veio a pandemia, parou o comércio, mas o mercado imobiliário continuou. Continuou alugando, continuou vendendo. Pelo contrário, ele aqueceu", recordou.

Segundo Eduardo, naquele período, muitas famílias passaram a procurar imóveis maiores, especialmente diante da necessidade de permanecer mais tempo em casa.

"Quem tinha um quarto queria ir para dois, quem tinha dois foi para três, quem tinha quatro queria ir para uma casa", explicou.

O dirigente também citou a presença do funcionalismo público como um dos fatores que influenciam as características econômicas de Brasília.

"Aqui a gente é um pouco blindado pelo funcionalismo, tanto do GDF quanto do governo federal", avaliou.

Ele considera que o setor tende a apresentar movimentos de crescimento e acomodação ao longo dos ciclos econômicos.

"O mercado imobiliário vai sempre caminhar, obviamente com momentos de mais estresse, momentos de estabilidade e momentos de crescimento", afirmou.

Para Eduardo, a trajetória do setor tende a ser menos volátil do que a de outras atividades econômicas.

"Eu acho que a curva do mercado imobiliário, o gráfico dele, é mais linear, com menos oscilações", avaliou.

Imóveis compactos, tecnologia e moradia por assinatura ganham espaço
Eduardo também abordou os novos formatos de moradia e as tendências que podem influenciar o desenvolvimento imobiliário.

Entre elas estão apartamentos compactos, empreendimentos com soluções tecnológicas, edificações inteligentes e imóveis planejados para consumidores que priorizam mobilidade e praticidade.

O dirigente citou o exemplo de empresas que desenvolvem projetos voltados para pessoas jovens, casais e famílias pequenas.

"Hoje, quando você faz um empreendimento, procura atender pessoas mais novas, casais, no máximo com um filho. Procura construir próximo de metrô, próximo de padarias, supermercados e farmácias", explicou.

Segundo ele, esses empreendimentos também incorporam recursos tecnológicos.

"Os prédios são de última tecnologia", destacou.

Outra tendência mencionada foi a possibilidade de contratos residenciais de longa duração, dentro de modelos de aluguel institucional.

"Os fundos compram o empreendimento e você faz um contrato de longo prazo, como na Europa. Você fica ali dez, quinze anos", comentou.

Eduardo acredita que esses formatos podem ampliar a estabilidade do aluguel e atender consumidores que não desejam adquirir um imóvel.

"É uma estabilidade no aluguel, um aluguel com mais estabilidade, de quinze anos", afirmou.

Ele também mencionou o conceito de moradia por assinatura.

"Esse é o futuro. É tecnologia, é apartamento por assinatura, igual carro por assinatura", declarou.

Entre os recursos que devem se tornar mais comuns nos empreendimentos, Eduardo citou identificação biométrica, infraestrutura para veículos elétricos, elevadores inteligentes e ambientes climatizados de forma automatizada.

"Você ter identificação biofacial, lugar para carregar carro elétrico, elevadores inteligentes e ambientes climatizados inteligentes. Isso está ficando mais barato e está sendo cada vez mais utilizado nas obras", destacou.


Mobilidade urbana e redução da burocracia podem atrair investimentos
Para estimular novos investimentos imobiliários no Distrito Federal, Eduardo defende melhorias de infraestrutura, especialmente na mobilidade urbana.

"Mobilidade urbana é importante", afirmou.

O dirigente destacou que a expansão de sistemas de transporte pode influenciar diretamente a valorização e o desenvolvimento de regiões periféricas.

Entre as possibilidades, citou projetos de ligação entre municípios do Entorno e a região central de Brasília.

"Talvez um metrô, um VLT ou um trem saindo lá de Formosa e percorrendo até a Rodoviária, ou próximo da Rodoferroviária, para poder integrar", sugeriu.

Na avaliação de Eduardo, a facilidade de deslocamento beneficia trabalhadores, empresas e investidores.

"Você tem mobilidade, aquela região toda cresce. É mais fácil para um funcionário trabalhar naquela região, é mais fácil para a pessoa se deslocar ao centro de Brasília", explicou.

Além da mobilidade, o dirigente defendeu a simplificação dos procedimentos administrativos.

"A burocracia melhora, o custo cai e as pessoas investem mais", resumiu.

Primeiro imóvel: planejamento financeiro deve vir antes da compra
Ao ser questionado sobre o principal conselho para quem deseja adquirir a primeira residência, Eduardo recomendou cautela, pesquisa e organização financeira.

"Procurar com calma, verificar se você tem financeiramente condição", orientou.

O dirigente afirmou que considera importante avaliar a possibilidade de acumular recursos antes de recorrer a financiamentos de longo prazo.

"Eu acho que é melhor você fazer uma poupança e comprar à vista do que financiar, a não ser que você não tenha realmente condição, porque o imóvel vai sair mais barato", declarou.

Eduardo também mencionou situações em que compradores enfrentam dificuldades para reduzir o saldo devedor de financiamentos.

"Às vezes, a gente pega causas em que a pessoa está pagando há doze anos e está no mesmo lugar, não saiu do lugar", relatou.

Sua recomendação é fazer uma avaliação detalhada das condições de pagamento.

"Se possível, fazer um planejamento para comprar um imóvel à vista", aconselhou.

A escolha entre compra à vista e financiamento, contudo, depende das condições financeiras, do custo do crédito e das necessidades de cada família.

Eduardo Pereira demonstra otimismo com os próximos cinco anos
Apesar das incertezas econômicas, o presidente do SECOVI-DF demonstrou confiança no potencial de crescimento do mercado imobiliário de Brasília.

"Eu sou sempre um otimista. Se não fosse, não estaria aqui até hoje", afirmou.

Eduardo destacou que, independentemente das oscilações econômicas, a necessidade de moradia permanece.

"As situações ficam ruins e melhoram. Tem a economia do Distrito Federal, tem a economia nacional, mas as pessoas precisam morar em algum lugar", explicou.

O dirigente relacionou a evolução do mercado ao crescimento populacional e à necessidade permanente de habitação.

"O mercado imobiliário está sempre em crescimento porque a população está sempre em crescimento", avaliou.

Eduardo também reconheceu que mudanças demográficas, como o envelhecimento e uma eventual redução da população, poderão modificar esse comportamento no futuro.
No bate-bola, presidente do SECOVI-DF prefere aluguel, imóvel usado e boa localização

Na parte final do podcast, Paulo Melo promoveu um bate-bola de perguntas rápidas com o convidado.

Questionado sobre comprar ou alugar nas condições atuais, Eduardo respondeu de maneira direta:

"Hoje, alugar."

Na escolha entre imóvel novo e usado, sua preferência foi:

"Hoje, usado."

Entre casa e apartamento, escolheu:

"Apartamento."

Quando perguntado se a prioridade deveria ser morar ou investir, respondeu:

"Morar."

Na disputa entre localização e preço, Eduardo foi enfático:

"Localização."

Entre imóveis compactos e empreendimentos de alto padrão, apontou:

"Compacto."

Ao definir o mercado imobiliário de Brasília como oportunidade ou desafio, escolheu:

"Oportunidades."

Sobre tecnologia ou relacionamento na profissão de corretor de imóveis, respondeu:

"Os dois."

Ao indicar uma região para acompanhar nos próximos anos, destacou:

"Jardim Botânico e Tororó."

Quando questionado sobre uma qualidade indispensável para um bom corretor, respondeu:

"Confiança."

A dica para quem deseja investir em imóveis foi igualmente objetiva:

"Pesquisar."

Sobre o futuro do mercado imobiliário ser digital ou presencial, manteve a avaliação de que os dois formatos permanecerão importantes:

"Os dois de novo."

Ao projetar Brasília para os próximos cinco anos, escolheu:

"Crescimento."

E, ao resumir o mercado imobiliário, apontou dois conceitos:

"Estabilidade e segurança."
Pesquisa, persistência e conhecimento são fundamentais para alcançar resultados

Na reta final da entrevista, Eduardo Pereira apresentou orientações para quem pretende obter sucesso no setor.

Segundo ele, a pesquisa deve estar presente tanto nas decisões de investimento quanto na atuação profissional.

"Primeira coisa, pesquisa. Pesquisa e determinação do que você quer fazer como investidor", afirmou.

Para os corretores, reforçou a necessidade de manter a formação atualizada.

"No caso de quem é corretor, estar sempre se informando, sempre aprendendo alguma coisa mais, dominando a inteligência artificial", recomendou.

Eduardo acredita que conhecimento e persistência são características essenciais dos profissionais que conseguem resultados consistentes.

"Os melhores vendedores são aqueles que têm persistência e conhecimento. Os melhores que eu conheço, que eu conheci, são desse perfil", destacou.

A pesquisa de mercado também foi apontada como uma maneira de identificar oportunidades que não são facilmente percebidas.

"Se você é investidor ou apenas um cliente que está comprando ou vendendo um imóvel ocasionalmente, o que você tem que fazer é pesquisa para detectar as oportunidades", explicou.

O dirigente reconheceu que o acesso às informações mudou profundamente a dinâmica das negociações imobiliárias.

"Antigamente, o cara não sabia direito o preço do imóvel e apareciam aquelas oportunidades muito fáceis. Hoje, se você pesquisar e usar a inteligência artificial, vai entender que ainda existem oportunidades", avaliou.

Ele citou os leilões e determinados segmentos como exemplos de mercados que merecem atenção.

"Ainda existem pontos de ruptura em determinadas regiões e em determinados imóveis em que você vai prosperar", afirmou.

Ao deixar uma dica adicional aos investidores, fez uma indicação curta: "Setor comercial."

Ética e capacitação devem orientar o futuro do mercado imobiliário
Ao encerrar a conversa, Eduardo Pereira ressaltou a importância de construir um ambiente imobiliário mais profissional, transparente e confiável.

"Que seja um mercado que se padronize mais, que tenha mais ética, que consiga trabalhar com mais ética e que a formação seja sempre contínua", afirmou.

Ele também destacou que as relações entre os profissionais e seus clientes precisam ser baseadas no respeito.

"Que respeite sempre tanto o seu cliente quanto o colega que trabalha", recomendou.

Para o dirigente, o desenvolvimento do setor também passa pela capacidade de criar mecanismos de autorregulação e boas práticas.

"O mercado é evolutivo, vai se autorregulando. O futuro é chegarmos a um mercado como o europeu e o americano, mais autorregulado", avaliou.

Eduardo aproveitou para destacar as iniciativas de informação e acompanhamento promovidas pelo SECOVI-DF, especialmente por meio de seu boletim imobiliário.

"A gente tem o nosso boletim imobiliário, em que faz um mapeamento. No ano que vem, vem um boletim muito melhorado, com muito mais dados", anunciou.

Segundo ele, a entidade continuará trabalhando em conjunto com instituições públicas e privadas.

"Nós somos parceiros da sociedade do Distrito Federal, do governo e das entidades", concluiu.

Mercado imobiliário vive uma nova fase de transformação
A entrevista de Eduardo Pereira ao Agora Imóveis no Ar Podcast apresenta um panorama de um setor que, embora tradicionalmente associado à segurança patrimonial, precisa se adaptar a novas realidades econômicas, tecnológicas e sociais.

Os juros elevados continuam influenciando a capacidade de financiamento das famílias. A valorização dos imóveis em regiões consolidadas de Brasília exige maior planejamento dos compradores. Ao mesmo tempo, áreas de expansão como Jardim Botânico, Tororó e Sobradinho despertam atenção de investidores e profissionais do mercado.

No segmento de locação, a demanda aquecida convive com preocupações relacionadas às mudanças tributárias. Já no ambiente profissional, a inteligência artificial, a digitalização dos processos e a qualificação permanente tornam-se elementos centrais para a competitividade.

Para Eduardo Pereira, o futuro do mercado imobiliário do Distrito Federal deverá combinar crescimento urbano, inovação, planejamento e fortalecimento das práticas profissionais.

A principal mensagem deixada pelo presidente do SECOVI-DF é que o sucesso no mercado dependerá cada vez mais de conhecimento, capacidade de pesquisa, ética, segurança nas negociações e adaptação às transformações do setor.

A entrevista completa foi apresentada por Paulo Melo no Agora Imóveis no Ar Podcast, programa dedicado a informações, investimentos, oportunidades, tendências e aos principais assuntos do mercado imobiliário.

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